domingo, 21 de março de 2010

Entrevista ao Cinematical

image No novo filme The Runaways, Kristen Stewart e Dakota Fanning interpretam Joan Jett e Cherie Currie, pioneiras da música que quebraram vários estereótipos sexuais. Contra o argumento que os homens fazem um rock mais duro que as mulheres, Jett e Currie encontraram forças até mesmo na produtora e promoter, Kim Fowley, que tirou vantagem da juventude e do appeal feminino. Ao contrário das personagens que interpretam, no entanto, Stewart e Fanning não estão deixando ninguém explorá-las, mesmo se for sobre o pretexto da capacitação; as atrizes passaram boa parte de suas carreiras redefinindo os limites dos papéis que jovens atrizes podem interpretar e as mulheres percebem o mesmo poder neste filme, provando que mesmo com um final pessimista, como é o caso de “Runaways”, pode se tornar um grande triunfo mais tarde.
Em uma recente coletiva de imprensa em Los Angeles, a Cinematical falou com Stewart e Fanning tanto sobre “The Runaways” quanto sobre as façanhas, boas e ruins da banda que inspirou o filme. Além de falar sobre a influência que as mulheres reais tiveram na forma como elas interpretaram suas personagens, Fanning e Stewart refletiram sobre os próprios processos na interpretação de diferentes papéis e deram uma idéia de como é atuar contra a crítica incontrolável, vinda tanto do público como, ocasionalmente, delas mesmas.
Cinematical: Cherie está tentando encontrar a si mesma ao longo do filme. Eu não sei o quanto do filme foi rodado em seqüência, mas quanto da personagem você teve que definir quando começou a filmar e quanto você desenvolveu ao longo do filme?
Dakota Fanning: Eu acho que eu estava bem preparada antes do filme começar. Eu passei muito tempo com Cherie e eu sabia aonde ela iria terminar antes de começar. Eu consigo entender bem como são os filmes – eu sei, de antemão, como tudo vai acontecer e isso é um alívio para quando você realmente começa a rodar. (Mas) a única coisa que foi filmada na seqüência, eu acho que foi o meu primeiro dia de filmagem, a primeira cena do filme. Foi legal, começou bem.
Cinematical: Joan parece querer apenas fazer música. Esta determinação torna mais fácil a condução de cada cena?
Kristen Stewart: Bem, quer dizer, sim, na sua essência, isso é algo que você percebe sobre Joan, que ela está em um caminho e que tem um objetivo – ela está em uma missão. Ela nunca se esquece disso, mas isso não a consome, tem muito mais – quer dizer, o fato dela ter este objetivo faz com que ela seja o que é. Não é só alcançar, sabe o que quero dizer? Tudo isso vem de algum lugar, e isso é mais rico do que apenas alguém que está determinado.
Cinematical: Quanto você absorve no processo de descoberta de como fazer estas cenas com esses temas específicos? É mais importante estar presente ou você tem que descobrir todo o processo antes de começar a filmar?
Fanning: Eu acho que neste caso, quando você interpreta uma pessoa real, você provavelmente já deve ter descoberto tudo isso de antemão. É assim que eu senti. Porque é como você ter a vida de alguém em suas próprias mãos e é sua a responsabilidade de fazer justiça, especialmente porque esta época foi tão importante para Joan e Cherie. Foi um dos momentos mais preciosos de suas vidas, então eu acho que era muito importante definir tudo antes de começar a filmar. Por exemplo, uma das coisas que tive que pré-definir foi (quando) teve uma cena em que eu estava usando um espartilho e eu estava ao telefone com minha irmã, e Johnny (Lewis), que interpreta Scottie, estava ao fundo. Estou ao telefone e Marie está dizendo que seu pai está doente, que ela precisava voltar para casa, blá blá blá, e eu tive que definir bem isso, pois Cherie amava demais seu pai e sua irmã e se ela realmente tivesse escutado a irmã dizendo ‘você precisa voltar para casa’, ela voltaria. Então você tem que concluir o quanto ela está drogada e eu tive que definir tudo isso para não fazer alguma coisa que Cherie não faria.
Stewart: Uma série de coisas leva você a um script. Não é apenas como querer viver essa experiência, algumas vezes é temático. Mas esse não é o seu trabalho, as pessoas com quem você trabalha podem manter tudo junto e você precisa ter certeza que você está fazendo sua parte da melhor forma possível. E, também, interpretando outra pessoa, eu tinha um recurso constante, por isso nunca tinha que preencher espaços em branco. Nunca tínhamos que dizer: “ah, eu acho que talvez neste ponto, ela deveria…” (porque) já havíamos perguntado o que ela estava pensando ou o que aquilo significava. Nada tinha que ser deliberado porque nós as tínhamos lá, então foi uma experiência diferente porque não precisamos criar nada. Mas, em relação, à intelectualização da atuação, você tem que fazer um pouco disso, mas eu sinto mais que eu penso, e eu acho que isso é bom para um ator. Quer dizer, mesmo que você tenha ótimas idéias sobre alguma coisa, você tem que pensar sobre elas e digerir tudo e transformar tudo, então você estará pronta para estar lá.
Cinematical: É justo então dizer que você pensa em cada pequena escolha que você faz?
Stewart: Quer dizer, eu sou tão obcecada com os pequenos detalhes, mas isso não é consciente. Eu sou obcecada com as pequenas coisas que ela (Dakota) faz, e ela pode não ter consciência do que está fazendo, mas é porque ela conhece tão bem esta pessoa. Então eu digo, oh meu Deus, você percebeu que você acabou de fazer isso? E você não deve dizer isso a um ator, porque eles não sabem, mas estão fazendo por alguma razão. Porque ela não é a Dakota quando está fazendo coisas assim, então isso não significa nada. Tudo isso, definitivamente, vem de algum lugar, mas ainda bem que ela não está pensando sobre isso. Porque a única razão porque ela consegue fazer isso é porque não está pensando naquilo.
Cinematical: Uma análise profunda se torna um obstáculo para você, especialmente em um dia em que cada aspecto do seu trabalho está sendo constantemente examinado e desconstruído?
Stewart: Parece que quando isso acontece, isso toma um rumo e isso é um problema. Porque quando as coisas estão indo bem, você não está.
Fanning: Eu tenho dito muito isso, mas mesmo que atuar para mim seja quando você acaba de conhecer uma pessoa (que você está interpretando), eu posso estar pensando em tantas outras coisas e faço isso porque você é aquela pessoa naquele momento. Se você pensar bem, isso não é bom. É um constante impasse.
Cinematical: Você sente um senso de responsabilidade ou você precisa sentir um senso de responsabilidade em relação aos expectadores mais jovens que podem estar assistindo a este filme? Como você se certifica que você está interpretando seu personagem da maneira mais autêntica possível e ainda não apresentar uma influência negativa para os expectadores mais impressionáveis?
Fanning: Eu acho que neste caso é diferente porque é uma vida real, uma história real e tudo isso aconteceu de verdade. Então, eu não sei se você pode pensar que as pessoas vêm ver o filme porque estão optando por ver algo que é de uma época difícil de suas vidas e é por isso que existem avaliações. Quer dizer, você pode pensar assim quando é uma história original, mas neste caso o filme é baseado em eventos reais e se você não for autêntico a isso então é melhor você não fazer o filme, eu penso assim.
Stewart: e se você está observando os detalhes que fazem dessas mulheres maus exemplos para as pessoas, então você nem vai escolher este personagem.
Fanning: Bem, não é que Cherie seja uma má pessoa porque ela usou drogas. O importante é ver que porque ela usava drogas, ela viu que ela estava se tornando uma má pessoa e ela escolheu não ser esta má pessoa quando deixou a banda. E ela é quem ela é atualmente. Então, se você não é capaz de ver as coisas desta maneira, então você não deveria ver o filme.
Stewart: Além disso, quanto ao exemplo dos atores, eu acho que muitas garotas têm estes exemplos que elas não querem imitar especificamente, mas apenas são o que elas são. Quer dizer, eu realmente admiro a Joan por ser quem ela é e não se desculpar por isso, mas eu não quero usar couro o dia inteiro, sabe o que quero dizer? Então, eu acho que o que ela é realmente é algo para se observar e, além disso, ninguém é perfeito.
Fanning: E também eu acho que às vezes é diferente com os atores, porque eu acho que você é mais que um exemplo na sua vida real ao contrário de quem você está interpretando.
Stewart: Quem você interpreta! Sim, exatamente.
Cinematical: Por último, porque você acha que está história é importante e porque foi importante que esta história tenha sido contada agora?
Stewart: Eu acho que isso sempre pode ser um assunto atual porque, por um lado, eu não sabia nada sobre o “The Runaways” e nem Dakota, e acho que a maioria das pessoas da nossa idade também não conhecia. Porque é relevante agora? Porque, bem, eu realmente estava inspirada para o papel; nós não temos as experiências que elas tinham na época, e as coisas são bem diferentes atualmente. Então, para saber que talvez elas fizeram parte de tudo aquilo é uma coisa interessante, e apenas ter uma perspectiva diferente sobre a vida de uma garota adolescente é muito interessante para as jovens de hoje. E as pessoas daquela época têm 50 anos hoje, a idade de Joan, e para eles é legal que as pessoas assistam ao filme e vejam como eram as coisas quando eles eram crianças.
Fonte: kstewdefenders

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